Cerca de 2 mil
pessoas morrem no Brasil, por ano, por engasgos. Os números são do Portal Atlas
da Educação, do Ministério da Saúde, divulgados em 2023. Entre as principais
vítimas estão crianças de até 3 anos, que naturalmente têm mais dificuldade de
controlar a mastigação, além do hábito de levar objetos à boca, e os idosos, em
que a disfagia é um problema comum durante o envelhecimento.
A
fonoaudióloga Marina Padovani, conselheira do Conselho Regional de
Fonoaudiologia do Estado de São Paulo (Crefono2), explica que a disfagia em
idosos se apresenta com uma dificuldade na deglutição, no ato de engolir
alimentos, líquidos e até saliva. "Ela pode ser mais ou menos acentuada, e
se torna mais comum com o avanço da idade e em pacientes que apresentam
histórico de doenças neurológicas ou de algum trauma na boca ou garganta",
explica a especialista.
Ela esclarece
que as estruturas que participam da deglutição passam naturalmente por mudanças
durante o envelhecimento. "Essas alterações causam enfraquecimento na
musculatura, além de provocar mais lentidão e uma falta de coordenação nos
movimentos necessários para engolir os alimentos, levando à ocorrência de tosse
e engasgos", completa a fonoaudióloga.
Além da tosse
e dos engasgos, outro sintoma comum durante a refeição é a sensação de alimento
entalado na garganta. "Pode haver também cansaço para comer, sensação de
alimento parado, emagrecimento sem causa aparente e pneumonias
frequentes", completa a especialista.
O tratamento é
realizado por meio de exercícios, ajustes e adaptações nos utensílios, posturas
e alimentos, e quanto mais cedo for feito o diagnóstico, melhor será o
resultado.
"Ao notar
que alguma coisa está errada, que os engasgos ou qualquer outro sintoma se
mostram cada vez mais frequentes, a pessoa deve passar por uma avaliação de um
profissional especialista na área, e assim traçar um plano de tratamento para o
restabelecimento da função de deglutição. Ou seja, é possível tomar
providências para corrigir ou atenuar o problema, minimizando riscos. Mas é
preciso ficar atento", conclui a fonoaudióloga Marina Padovani.
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