O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva já teria decidido não sancionar o projeto aprovado
recentemente pela Câmara dos Deputados que amplia benefícios e pode abrir
caminho para supersalários no Legislativo. As informações são da jornalista
Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo.
Auxiliares em
Brasília confirmaram que Lula não pretende endossar a proposta, avaliando que o
tema é amplamente rejeitado pela população e que o momento exige contenção de
despesas que não tenham finalidade social e possam ser interpretadas como
privilégios.
Lula também
não deve apoiar reajustes semelhantes destinados a servidores do Senado e do
Tribunal de Contas da União (TCU). Nos bastidores, ministros e integrantes do
governo discutem alternativas para impedir que a medida avance, incluindo a
possibilidade de devolução do projeto ao Congresso.
A principal justificativa levantada por integrantes do Executivo seria uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a suspensão do pagamento de “penduricalhos” — verbas indenizatórias e adicionais que permitem que salários ultrapassem o teto constitucional do funcionalismo público (R$ 46.366,19).
Supersalários de R$ 80 mil
A Câmara
aprovou projetos de lei que, na prática, podem elevar os salários de
determinados servidores para patamares próximos de R$ 80 mil. As propostas
preveem uma nova gratificação para servidores do Legislativo e instituem um
mecanismo de licença compensatória, que pode ser convertido em pagamento
indenizatório, permitindo que a remuneração ultrapasse o teto constitucional.
O texto foi
aprovado em votação simbólica e prevê o fim da chamada gratificação de
representação, substituindo-a por uma nova vantagem cujo valor pode variar
entre 40% e 100% do vencimento básico, dependendo do cargo. Esse adicional, por
si só, teria limite dentro do teto.
Licença compensatória
No entanto, o
ponto mais sensível do projeto está na criação de uma licença compensatória
para quem exerce função comissionada. A regra prevê um dia de folga a cada três
dias trabalhados em períodos como feriados, fins de semana e datas de descanso.
Se a licença
não for usufruída, o servidor poderá receber o valor correspondente em
dinheiro, como indenização. Esse pagamento seria isento de Imposto de Renda,
não estaria submetido às regras do teto constitucional e poderia elevar a
remuneração final acima do limite legal. O texto fixa um limite de até 10 dias
de licença por mês.
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