A proposta de
reduzir a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas — prevista na PEC
148/2015, em tramitação no Senado — pode elevar em até R$ 267,2 bilhões por ano
os custos com empregados formais no país. O valor representa um acréscimo de
até 7% na folha de pagamentos das empresas, segundo estudo da Confederação
Nacional da Indústria (CNI).
Entre os
estados, São Paulo lidera em impacto absoluto. A estimativa é de aumento de R$
95,83 bilhões nos custos para que as empresas paulistas mantenham o atual nível
de produção, considerando o pagamento de horas extras para compensar a redução
da jornada.
Na sequência
aparecem:
Minas Gerais: R$ 25,55 bilhões
Paraná: R$ 19,58 bilhões
Rio de Janeiro: R$ 17,96 bilhões
Rio Grande do Sul: R$ 17,67
bilhões
Santa Catarina: R$ 17,13 bilhões
Em nota, o
presidente da CNI, Ricardo Alban, afirma que o debate deve ser conduzido com
cautela. Segundo ele, o impacto não será igual entre as regiões.
“O Brasil tem realidades produtivas diferentes, o que faz com que o aumento de custos seja ainda mais relevante em alguns lugares em relação a outros, menos intensivos de mão de obra, com reflexos negativos sobre a competitividade e a organização do trabalho”, diz.
Dois cenários
Para avaliar
os efeitos da proposta, a CNI projetou dois cenários:
No primeiro,
as empresas manteriam o total de horas trabalhadas por meio do pagamento de
horas extras. Nesse caso, as indústrias da região Sul teriam o maior impacto,
com aumento estimado de até 8,1% nos custos. O Sudeste viria em seguida, com
alta de 7,3%, seguido pelo Nordeste (6,1%) e pelas regiões Norte e Centro-Oeste
(5,5% cada).
No segundo
cenário, a recomposição ocorreria com a contratação de outros trabalhadores
para cumprir as horas reduzidas, preservando o volume de trabalho. Os
percentuais de aumento dos custos seriam menores, mas a ordem regional se
manteria: Sul (5,4%), Sudeste (4,9%), Nordeste (4,1%) e Norte e Centro-Oeste
(3,7% cada). Em termos absolutos, o Sudeste continuaria concentrando o maior
impacto, com acréscimo estimado em R$ 95,8 bilhões.
Segundo o
estudo da CNI, se a jornada semanal for reduzida de 44 para 40 horas sem corte
proporcional nos salários, o valor da hora trabalhada aumentará automaticamente
em cerca de 10%, já que o trabalhador passará a receber o mesmo salário por
menos horas de trabalho.
Além disso, se
as horas reduzidas não forem compensadas com pagamento de horas extras ou
contratação de novos funcionários, haverá diminuição no total de horas
trabalhadas na economia, o que pode levar à queda na produção de bens e
serviços e, consequentemente, a um recuo da atividade econômica.
Independentemente
da estratégia adotada pelas empresas, a compensação integral das horas seria
difícil de implementar. O estudo classifica a recomposição como “economicamente
improvável e operacionalmente inviável em grande parte dos segmentos
industriais”, incluindo indústria extrativa, indústria de transformação,
construção e serviços industriais de utilidade pública, como eletricidade, gás
e água.
“Estamos
falando de um aumento de custos muito expressivo. Quando o custo do trabalho
sobe dessa forma, o impacto não fica restrito a um setor ou a uma região. Ele
se espalha ao longo das cadeias produtivas, encarece insumos, pressiona preços
e afeta a competitividade do país”, alerta Alban.
Diminuição da produtividade
Um dos
objetivos da PEC é aumentar a produtividade. Para o economista Sillas Souza,
pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), porém, o efeito
pode ser o oposto. Segundo ele, parte dos trabalhadores pode buscar um segundo
emprego para compensar a renda, ampliando a jornada total semanal.
“Primeiro:
para os que conseguirem (outro emprego), teremos o efeito oposto da proposta,
pois ao invés de 36 horas semanais, serão agora 72. Menos ócio, portanto,
equivalerá a uma menor produtividade. Segundo: mais gente ofertando emprego
quer dizer mais concorrência pelas vagas, o que motivará os empresários a
diminuírem os salários médios. Temos uma situação potencial na qual muita gente
trabalhará o dobro para ganhar um pouco mais do que ganhava antes”, explica.
Para a CNI, as
projeções buscam contribuir para o debate sobre a proposta ao indicar possíveis
efeitos econômicos, produtivos e regionais da mudança na jornada de trabalho. A
entidade defende que uma análise técnica dos impactos é fundamental para orientar
eventuais alterações na legislação trabalhista, considerando a diversidade da estrutura
produtiva brasileira.

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