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Cão Orelha não morreu por agressão de adolescentes, conclui Ministério Público

 

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) pediu o arquivamento das investigações do caso do cão Orelha, encontrado ferido e que precisou passar por eutanásia em Florianópolis, capital catarinense. O documento foi encaminhado à Vara da Infância e Juventude da Comarca da Capital na última sextafeira (8) e as informações foram divulgadas na tarde dessa terça-feira (12).

De acordo com o Ministério, após análise de quase dois mil arquivos, o órgão chegou à conclusão de que os adolescentes e o animal não estiveram juntos na praia no período da suposta agressão. Ainda de acordo com as informações do MPSC, a morte do cão “Orelha” está associada a uma condição grave e preexistente, e não à agressão.

Segundo o órgão, os relatórios da investigação policial sustentavam que o adolescente apontado como responsável pela agressão e o cão teriam permanecido simultaneamente na praia por cerca de 40 minutos, mas uma comparação na reconstituição do linha do tempo evidenciou uma defasagem de aproximadamente 30 minutos entre os horários registrados.

As câmeras do condomínio registram horário adiantado em cerca de 30 minutos em relação aos horários registrados no sistema Bem-Te-Vi. A perícia confirmou esse descompasso temporal.

Com a confirmação da perícia, o MPSC chegou à conclusão de que não há registros que comprovem a presença do animal na orla da Praia Brava, como confirmaram as testemunhas ouvidas no decorrer da investigação.

Ainda de acordo com o MPSC, verificouse que, nos instantes em que o adolescente esteve nas imediações do deck, o cão se encontrava a cerca de 600 metros de distância. Dessa forma, não se sustenta a tese de que ambos tenham compartilhado o mesmo espaço por aproximadamente 40 minutos, como afirmado nos relatórios policiais.

Além disso, a constatação, pelas imagens analisadas na perícia, de que o cão mantinha plena capacidade motora e padrão de deslocamento normal quase uma hora após o horário em que a investigação presume a ocorrência do ato da suposta agressão, afastou a tese de que ele teria retornado da praia já debilitado por “agressões” recentes. 


Condição de saúde do animal

Também foram analisados os elementos técnicocientíficos reunidos no caso, considerando tanto os laudos periciais quanto o depoimento do médico-veterinário responsável pelo atendimento ao cão Orelha.

Segundo o MP, a avaliação conjunta dessas provas foi determinante para afastar a hipótese de maus-tratos e compreender o real quadro clínico do animal, que resultou em sua morte por procedimento de eutanásia.

O laudo pericial elaborado por perito veterinário com a exumação do corpo do cão Orelha afasta a hipótese de traumatismo recente compatível com maus-tratos. O perito responsável pela exumação esclareceu que todos os ossos do animal foram examinados de forma minuciosa, sem que fosse constatada qualquer fratura ou lesão compatível com ação humana.

Foram identificados sinais de osteomielite na região maxilar esquerda — uma infecção óssea grave e crônica — possivelmente relacionada a doenças periodontais avançadas, evidenciadas pelo acúmulo de cálculos dentários.

As imagens do crânio anexadas aos autos demonstram uma lesão profunda e antiga, com perda de pelos, descamação e inflamação compatíveis com infecção de evolução prolongada. A localização da ferida, abaixo do olho esquerdo, é compatível com o edema observado pelo médico veterinário que atendeu o animal.

A condição de integridade do animal quando foi conduzido ao atendimento na clínica veterinária também foi registrada em fotografia, amplamente divulgada, na qual se observa apenas inchaço do olho esquerdo, sem a presença de outros sinais externos de violência. (fonte: CNN Brasil)

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