A Comissão de
Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, no início da
tarde desta quarta-feira (10), a proposta de Emenda à Constituição (PEC) 32/15,
que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos.
A matéria foi
aprovada por 44 votos a favor e 18 contra. A aprovação do texto é uma derrota
para a base do governo, que tentou retirar a proposta da pauta da comissão.
O relator do
texto, deputado Coronel Assis, propôs que a PEC trate exclusivamente da
responsabilização penal, retirando do texto as mudanças sobre direitos Civis e
eleitorais. Agora, a proposta segue para uma comissão especial.
Se aprovada na comissão, a medida irá ao plenário da Câmara dos Deputados, onde será votada em dois turnos.
O que diz o texto da PEC?
Atualmente, no
Brasil, jovens maiores de 16 anos que cometem infrações graves cumprem medidas
socioeducativas de internação por, no máximo, três anos, de acordo com o artigo
228 da Constituição Federal baseada no Estatuto da Criança e do Adolescente
(ECA).
Dados do
Conselho Nacional de Justiça (CNJ) indicam que o país registra cerca de 12 mil
adolescentes em unidades de internação ou em privação de liberdade – menos de
1% dos 28 milhões de jovens nessa faixa etária, segundo dados do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A proposta, de
autoria do deputado Gonzaga Patriota, argumenta que jovens de 16 anos já
possuem maturidade suficiente para responder por seus atos e que a legislação
precisa se alinhar à realidade atual. O relator, deputado Coronel Assis
(PL-MT), apresentou parecer favorável à mudança, apoiando-se em pesquisas que
indicam que cerca de 90% da população brasileira seria favorável à redução.
O argumento
central dos defensores é que o Código Penal de 1940 não reflete mais a
realidade atual, já que jovens de 16 anos teriam pleno discernimento de seus
atos e acesso à informação, além de estarem sendo aliciados pelo crime
organizado devido à percepção de impunidade.
Do outro lado,
parlamentares e entidades de direitos humanos sustentam que a medida é um
"retrocesso social". Um dos maiores obstáculos à PEC é a tese de que
a maioridade aos 18 anos constitui uma cláusula pétrea da Constituição de 1988.
Juristas argumentam que o artigo 228 protege um direito individual que não pode
ser abolido nem por emenda constitucional.
No entanto,
essa interpretação não é unânime: ministros do STF, como Marco Aurélio Mello e
Teori Zavascki, já manifestaram em ocasiões passadas que a idade penal poderia
ser reduzida sem ferir a legislação.
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