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Ilha Bela terá primeira usina de SP que transforma água do mar em água potável

 

O Estado de São Paulo terá sua primeira usina que transformará água do mar em água potável, reforçando a resiliência hídrica como parte dos investimentos previstos após a desestatização da Sabesp pelo Governo de São Paulo. O Sistema de Dessalinização para Abastecimento Público de Água será construído em Ilhabela, no Litoral Norte, região com restrições ambientais para a captação de água doce e que atrai grande quantidade de turistas.

A água vai fortalecer o sistema de produção Água Branca com vazão de 20 litros por segundo, o que representa um aumento de 20% na oferta atual. A obra compreende a implantação de sistemas de bombeamento, tubulações e reservatórios para todo o processo envolvendo captação no Ribeirão Água Branca, elevação, adução, reservação da água bruta, tratamento e reservação da água tratada, doce e potável.

Serão beneficiados os moradores e os visitantes das regiões central e norte da ilha, desde Piuva/Barra Velha até Ponta das Canas, passando por Green Park, Reino, Itaguaçu, Itaquanduba, Engenho D’Água, Saco da Capela, Centro, Praia Feia, Barreiros, Siriuba, Pedra do Sino e Armação. A obra tem previsão de término de três anos e contará com investimento da Sabesp de R$ 56,4 milhões.

Atualmente, a Sabesp faz a captação num trecho do Ribeirão Água Branca onde a água ainda é doce. Com o novo sistema, a Companhia ampliará a captação, realizando essa etapa também em um trecho mais próximo ao encontro com a água do mar, o que torna necessário o processo de dessalinização. 

Obra compreende a implantação de sistemas de bombeamento, tubulações e reservatórios, elevação, adução, reservação da água bruta, tratamento e reservação da água tratada, doce e potável. Foto: Divulgação/Sabesp.

Projeto

Para remover o sal e outras impurezas da água salgada ou salobra (com menos concentração de sal) e torná-la apropriada ao consumo humano, a Sabesp utilizará tecnologia baseada na chamada “osmose reversa”, que consiste na aplicação de alta pressão sobre a água salgada, forçando-a a atravessar membranas semipermeáveis que retém os sais dissolvidos.

Entre as vantagens da dessalinização está o fato de ser uma fonte de abastecimento resiliente. “Não depende das chuvas, garante previsibilidade na produção de água e pode ser implantada próxima a áreas urbanas, o que reforça a segurança hídrica”, afirma Roberval Tavares, diretor de Engenharia e Inovação da Sabesp.

No Brasil, há iniciativas de transformar água salobra em água potável no Nordeste, como o Programa Água Doce, implantado no semiárido, e a usina Dessal Ceará, em Fortaleza, que garante o abastecimento na região metropolitana da capital. No Sudeste, o processo é adotado somente em âmbito industrial, para garantir autossuficiência no Porto de Tubarão, localizado no Espírito Santo.

No cenário internacional, países como Israel, Arábia Saudita, Austrália e Espanha estão entre os líderes em projetos de dessalinização em larga escala. “Israel, por exemplo, abastece mais de 60% de sua demanda hídrica com água dessalinizada, resultado de investimentos contínuos em inovação e políticas públicas voltadas à segurança hídrica. Na Arábia Saudita, a dessalinização é essencial para o abastecimento de quase toda a população”, comenta Marcello Xavier Veiga, diretor da Sabesp de Empreendimentos do Interior e Litoral Norte.

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