O governo
federal deverá recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para barrar o impacto
sobre os cofres públicos da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) que cria regras especiais de aposentadoria para agentes comunitários de
saúde e de combate a endemias, disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Segundo ele, o
governo não acionaria a Justiça se a PEC trouxesse uma fonte de compensação
fiscal. O ministro argumentou que a Constituição e a Lei de Responsabilidade
Fiscal (LRF) exigem que a criação de novos benefícios previdenciários seja
acompanhada da indicação de receitas capazes de compensar o impacto nas contas
públicas. Caso isso não ocorra, o governo estuda judicializar o tema.
"Se não estiver apontando fonte de receita, descumprindo a jurisprudência do Supremo, é provável que o governo vá ao STF", afirmou Durigan.
Impacto bilionário
De acordo com
o ministro, a proposta representa uma pauta-bomba e poderá gerar impacto
atuarial entre R$ 27 bilhões e R$ 30 bilhões ao longo dos próximos dez anos,
conforme diferentes projeções apresentadas pelo governo.
Os cálculos
consideram a redução das contribuições previdenciárias e a antecipação do
pagamento de benefícios decorrente das novas regras de aposentadoria. Segundo a
pasta, o custo poderá ser ainda maior, já que as estimativas não incluem
eventual revisão de aposentadorias já concedidas.
Apelo ao Congresso
Durigan
afirmou que tem mantido conversas com os presidentes da Câmara dos Deputados,
Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para
defender que propostas com elevado impacto fiscal observem as exigências da
legislação e do arcabouço fiscal.
Segundo o
ministro, o objetivo é preservar o equilíbrio das contas públicas alcançado
pela equipe econômica. "Tenho reiterado aos dois presidentes o compromisso
com o futuro do país, para que a gente não comprometa o equilíbrio fiscal com
esse tipo de medida de alto impacto", declarou.
Apesar das
manifestações do governo, a PEC foi aprovada em dois turnos pelo plenário do
Senado na noite dessa terça-feira (14)
O que muda
A proposta
cria um regime previdenciário diferenciado para agentes comunitários de saúde e
agentes de combate a endemias. Segundo os parlamentares, as condições
específicas de trabalho desses profissionais, que atuam em visitas
domiciliares, prevenção de doenças e ações de vigilância em saúde,
justificariam uma aposentadoria antecipada.
Pelas regras
permanentes previstas na PEC, os profissionais poderão se aposentar após 25
anos de efetivo exercício na função e de contribuição previdenciária, desde que
cumpram idade mínima de 57 anos para mulheres e 60 anos para homens.
O texto também
estabelece regras de transição, que permitem aposentadorias em idades
inferiores em determinadas situações, além de estender o benefício aos agentes
indígenas de saúde e aos agentes indígenas de saneamento.
Situação atual
Atualmente,
após a Reforma da Previdência de 2019, os agentes comunitários de saúde e de
combate a endemias seguem as regras gerais da Previdência Social. A concessão
de aposentadoria especial depende da comprovação de exposição permanente a
agentes nocivos e do cumprimento dos requisitos previstos na legislação.
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