Lito Souza, o youtuber
que fez milhões de brasileiros se apaixonarem pela aviação, morreu nesta
quinta-feira (1º) aos 59 anos. Ele havia recebido diagnóstico para a doença
Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma condição neurológica rara, grave e de rápida
progressão. Deixa a esposa, Mila Seidl, e o filho Malone.
A morte do
influenciador foi comunicada pela esposa, por meio das redes sociais. “Um
grande abraço e até o próximo voo. Foi uma honra ter viajado com você. Te amo.
Sempre”, diz a legenda da publicação.
Nascido
Joselito Geraldo de Sousa, Lito ganhou projeção com o seu canal no YouTube Aviões e Músicas, que tinha mais de 4
milhões de inscritos. Em suas redes sociais, explicava o funcionamento de
aeronaves, desmistificava medos de voar e contava histórias dos bastidores da
aviação para o público.
Lito também
era mecânico de aviação e especialista na área e em segurança aérea. Trabalhou
em empresas do setor, como Varig, Transbrasil e United Airlines – sempre como
mecânico. Embora tivesse o brevê, licença para pilotar pequenas aeronaves, Lito
costumava dizer que sabia pilotar, mas não era piloto.
Também é autor
do livro “Onde Morrem os Aviões”. Fundou a Lito Academy e lançou o curso “Sem
Medo de Voar”.
Diagnóstico para Creutzfeldt-Jakob
Em 21 de
agosto, a esposa de Lito informou, por meio das redes sociais do piloto, que
ele havia sido diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ). A
condição pode causar perda progressiva de funções cognitivas, alterações de
comportamento, dificuldades de movimento e outros sintomas neurológicos. A
evolução costuma ocorrer de forma rápida.
A doença é
rara e tem incidência estimada em aproximadamente um a dois casos por milhão de
pessoas por ano. Atualmente, não há tratamento eficaz estabelecido para a
condição.
Após o
diagnóstico, a família buscava acesso a tratamentos experimentais. No entanto,
os medicamentos experimentais procurados ainda estão em fase de pesquisa e não
têm eficácia comprovada contra a DCJ. O acesso depende dos critérios dos estudos,
das empresas responsáveis e das autoridades regulatórias.
Uma das
alternativas procuradas era o remédio experimental ION717, da farmacêutica
Ionis. Segundo a família, o estudo está fechado para novos participantes e o
medicamento não está disponível, no momento, por uso compassivo.
A família
também procurou pesquisadores ligados ao Broad Institute, de Harvard e do MIT.
Lito chegou a participar de uma entrevista com responsáveis por uma das
pesquisas.
O Ministério
da Saúde chegou a formalizar um pedido para que Lito fosse incluído na fase
inicial de testes do estudo clínico em Harvard, nos Estados Unidos. O Itamaraty
também mobilizou embaixadas brasileiras em países onde existem ensaios clínicos
relacionados à doença, na tentativa de obter a inclusão do influenciador em
estudos experimentais.
Em 4 de
setembro, a Anvisa autorizou a importação e utilização de um medicamento
experimental. No mesmo dia, o influenciador disse ter uma nova perspectiva
sobre o tratamento em vídeo publicado nas redes sociais.
“Eu vou ter
muito trabalho depois que eu melhorar. Estou longe do meu ideal, continuo com
inflamação no cérebro, mas, felizmente, a minha cognição não foi afetada e
continuo lembrando do passado”, disse Lito na gravação. Foi o seu último vídeo.
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