O governo
federal anunciou que retomará o programa de apoio aos setores empresariais
atingidos pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos (EUA). Na semana passada,
o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês)
confirmou uma tarifa adicional de 25% em parte dos produtos brasileiros
alegando supostas práticas "desleais" no comércio por parte do
Brasil.
O governo
brasileiro rejeita as justificativas usadas para a taxação. As novas tarifas
passam a valer a partir de quarta-feira (22). "O governo, a partir de
agora, tem como prioridade atender e apoiar esses setores por essa injusta,
indevida e ilegal tarifação que nos foi imposta", afirmou o ministro
Márcio Elias Rosa, titular da pasta Desenvolvimento, Indústria, Comércio e
Serviços (MDIC).
Segundo Rosa,
os exportadores mais atingidos desta vez são os setores de madeira, máquinas e
equipamentos elétricos, móveis e mobiliários, produtos cerâmicos, calçados e açúcar.
Eles deverão contar com linha de crédito para capital de giro, investimentos e
com apoio para escoamento de produtos a outros clientes e países.
Estimativas da
Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao MDIC, apontam um total de
2,4 mil empresas nacionais diretamente atingidas pelo tarifaço, que respondem,
juntas, por cerca de 18% das exportações brasileiras com destino aos EUA, o que
corresponde a transações estimadas de US$ 7,4 bilhões, na comparação com
números de 2024.
Prejuízo
No ano
passado, esses mesmos setores já haviam reduzido para US$ 5,5 bilhões o volume
total de exportações aos norte-americanos. Mais da metade da pauta de
exportações do Brasil aos EUA, como carnes, café, óleos e itens de aviação, foi
poupada da taxação por decisão norte-americana desta vez.
A participação
dos EUA nas exportações brasileiras, que era de 12,1%, até o ano passado, caiu
para 9,4% em 2026, e o governo continuará a fomentar uma política de
diversificação de mercados para esses produtos, afirmou Márcio Elias Rosa.
Pix
Entre os
pontos questionados pelos norte-americanos, nas diversas rodadas de negociação
desde o ano passado, está o Pix, o sistema brasileiro de transferências e
pagamentos eletrônicos, criado pelo Banco Central (BC).
Durante
coletiva de imprensa, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, foi enfático ao
dizer que o Pix não se sustenta como motivo para o tarifaço, e que empresas
norte-americanas de cartão de crédito, que estão entre as principais do
mercado, não foram diretamente afetadas.
"Seria
mais ou menos como tentar dizer que, ao criar o saneamento básico, prejudicou a
receita de quem tem caminhão pipa. Por mais estapafúrdio que possa parecer esse
argumento, nem ele se comprovou verdade. Analisando o que aconteceu
efetivamente, a partir da implementação do Pix, o mercado de cartão de crédito
cresceu 150%. Quem perde espaço são os cheques e o dinheiro físico, o que é absolutamente
desejável para todos".

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