A menopausa
marca uma virada importante na saúde da mulher. Durante a vida reprodutiva, o
estrogênio exerce efeito protetor sobre os vasos sanguíneos, o metabolismo e o
controle da inflamação. Com a queda desse hormônio, o organismo passa por
mudanças que aumentam o risco cardiovascular e alteram o padrão de sintomas de
problemas no coração.
Segundo a
médica nutróloga Dra. Mariana Wogel, muitas mulheres percebem o corpo diferente
depois dos 40 anos e associam essa mudança apenas à idade ou à estética. Para
ela, o que acontece é uma alteração fisiológica real, com impacto direto na
saúde.
“Por trás da
frase ‘meu corpo mudou do nada’ existe uma alteração concreta. O que antes
tinha proteção hormonal passa a responder de outra forma”, afirma.
Entre os principais
efeitos dessa transição estão o aumento da gordura abdominal, a piora da
resistência à insulina, a elevação da pressão arterial e a desorganização do
perfil de colesterol. Esses fatores, somados, favorecem maior risco de doença
cardiovascular nos anos seguintes à menopausa.
A especialista
também chama atenção para um ponto que ainda passa despercebido por muitas
mulheres: o infarto feminino nem sempre se apresenta de forma clássica. Em vez
da dor forte no peito, os sintomas podem surgir como falta de ar, cansaço
intenso que não melhora, náusea, dor nas costas e sensação súbita de exaustão.
Em muitos casos, esses sinais são confundidos com ansiedade, estresse ou
simples desgaste da rotina.
Para a médica,
essa diferença exige mais atenção na avaliação clínica. A saúde da mulher após
os 40 anos não deve considerar apenas os sintomas hormonais, mas também a
proteção do coração e a prevenção de doenças metabólicas. “Menopausa não
precisa ser o começo do adoecimento feminino, mas precisa ser levada a sério”,
diz.
A Dra. Mariana
defende que o acompanhamento nessa fase deve incluir exames regulares, controle
metabólico, análise de marcadores de inflamação, cuidado com a massa muscular,
prática de atividade física e, quando necessário, manejo hormonal
individualizado. O sono também entra na lista de fatores que influenciam o
risco cardiovascular e o equilíbrio geral do organismo.
A médica
reforça que a prevenção faz diferença. Identificar mudanças cedo permite
reduzir riscos e evitar que sintomas discretos sejam ignorados até se tornarem
quadros mais graves. Para ela, o foco da conversa sobre menopausa precisa ir
além dos fogachos e incluir o coração como parte central desse processo.

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